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Fisioterapia Complexa Descongestiva no Tratamento do Linfedema

Atualizado: 31 de mar. de 2021


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Atualmente o câncer de mama é o tipo mais freqüente de câncer entre as mulheres. No Brasil, as taxas de mortalidade por câncer de mama continuam elevadas, muito provavelmente porque a doença ainda é diagnosticada em estádios avançados. A estimativa de novos casos é de 57.120 para o ano de 2014, válidas para 2015 (INCA).

Aproximadamente 25% das mulheres desenvolvem o Linfedema após o tratamento oncológico. O Linfedema é uma das principais complicações e a seqüela mais temida pelas mulheres, podendo levar a conseqüências físicas e psicossociais a longo prazo afetando sua qualidade de vida. O linfedema consiste no acúmulo de linfa no espaço intersticial, causado por uma falha no sistema linfático. Este líquido é rico em proteínas podendo gerar importante fibrose com grande volume do membro acometido.

A incidência de Linfedema é bastante variável na literatura, indo de menos de 5% nas cirurgias menos invasivas até 60% quando o tratamento inclui dissecção axilar associada à radioterapia. Numerosos estudos tentam determinar a real incidência desta seqüela associada às modalidades terapêuticas para o câncer, ferramentas de avaliação consistentes e objetivas bem como estratégias de tratamento eficazes baseadas em evidências na prevenção, tratamento e controle desta condição.

A Fisioterapia Complexa Descongestiva (FCD) é o tratamento para o Linfedema recomendado pela Sociedade Internacional de Linfologia. O tratamento inclui uma atenção especial aos cuidados com a pele, drenagem linfática manual, bandagens de baixa elasticidade, exercícios miolinfocinéticos e meias/luvas compressivas.

A FCD é realizada em duas fases: na primeira fase (tratamento) o principal objetivo é mobilizar a linfa acumulada, reduzir a fibrose tecidual, procurando reduzir ao máximo o volume do membro – é nesta fase que será realizado o enfaixamento compressivo (com bandagens de baixa elasticidade), a drenagem linfática manual, os exercícios miolinfocinéticos (exercícios que ativam a circulação linfática) e cuidados especiais com a pele. A primeira fase tem um tempo médio de 5 semanas de tratamento, onde o Fisioterapeuta acompanhará a evolução das medidas do membro tratado. Esta fase é realizada, no mínimo, 3 vezes por semana.

A segunda fase é chamada de “fase de manutenção” onde poderão ser utilizadas bandagens de baixa elasticidade à noite, e meias de compressão durante o dia associadas a realização de exercícios diários, auto massagem de drenagem linfática, cuidados com a pele e controle do peso também são indicados. É importante ressaltar que nesta fase, a participação do paciente nos cuidados e orientações é fundamental para o sucesso da terapia.

Para uma boa redução do volume do membro afetado, bem como manutenção da boa condição da pele é necessário que o Fisioterapeuta habilitado no tratamento dos Linfedemas utilize a FCD como um todo, pois estudos demonstram uma baixa eficácia das técnicas quando utilizadas separadamente (comentarei sobre estudos importantes que utilizaram as técnicas separadamente nas próximas postagens).

O Linfedema é uma patologia crônica e de difícil tratamento. A literatura recomenda a Fisioterapia Complexa Descongestiva como o tratamento mais adequado nestes casos. Numerosos estudos demonstram uma grande melhora no aspecto da pele, redução de volume e fibrose, conforto, bem como melhora na qualidade de vida em pacientes tratados com a FCD, no entanto são ainda necessários estudos com alta qualidade científica que identifiquem a melhor forma de manutenção e controle do linfedema após o tratamento inicial.

Fonte: Martín et al. BMC Cancer 2011, 11:94 Breast Cancer Res Treat (2007) 101:285–290 Nele Devoogdt, European Journal of Obstetrics & Gynecology and Reproductive Biology 149 (2010) 3–9 Chirag Shah,Int J Radiation Oncol Biol Phys, Vol. -, No. -, pp. 1e7, 2011

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